Nota de Repúdio do PR da ANEI

Nota de Repúdio do presidente da ANEI ao anúncio do Governo Federal sobre mais privatizações de aeroportos rentáveis do Brasil e consequente encolhimento da estatal INFRAERO

Quando se fala em privatização de um bem público logo vem à mente ampliação e melhoria de serviços, lógico, o setor privado no Brasil tem muito mais celeridade e abertura para contratações e negociações.

Embora essa seja a máxima, de que o setor privado parece melhor que o público, no caso dos aeroportos brasileiros essa não é uma verdade absoluta. Evidente que os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas estão mais bonitos e até mais confortáveis, entretanto, na avaliação de quem utiliza, no dia a dia, aqueles serviços, a realidade operacional é de que os aeroportos administrados pela estatal INFRAERO continuam melhores.

Essa é a realidade que culminou na premiação da INFRAERO no programa “Aeroportos + Brasil 2015”, promovido pela Secretaria de Aviação Civil (SAC-PR), e que envolve a avaliação dos passageiros sobre a infraestrutura aeroportuária em nove categorias. Do top 10 apenas 01 não era operado pela estatal dos aeroportos. Para se ter ideia, o “acanhado” aeroporto de Congonhas – da maior metrópole do país – levou o prêmio em quatro categorias. O aeroporto de Recife, cujo governador de Pernambuco acaba de se apoderar da ideia de vendê-lo também e já está fazendo campanha para tal, foi considerado o melhor aeroporto do Brasil.

Abertamente falando é possível imaginarmos o porquê de tamanha crueldade com a sociedade brasileira entregando à iniciativa privada essa missão de fazer dinheiro para o estado. – Os ganhos, relativamente rápidos, para os cofres do governo são realmente superiores, afinal os ágios pagos na aquisição dessa fabulosa máquina de produzir grana, que é um aeroporto rentável, é algo admirável. Como é incrível, ainda, a facilidade com que esses novos operadores possuem para fazer o que bem entenderem com os repasses de verba pública, por meio da Sociedade de Propósito Específico (SPE), como tem ocorrido.

Se por um lado há a letargia nos ganhos de eficiência econômica por parte da estatal – muito em decorrência também de má gestão (gente despreparada gerindo o negócio – são pífios os critérios internos para nomeação de cargos comissionados), por outro, a parte operacional não vai tão mal assim. Basta verificar o resultado da mencionada premiação do próprio governo.

O reflexo de todo esse malfadado e controverso “planejamento” do governo federal pode ser mais ou menos visto dentro da INFRAERO. Citarei o meu caso, como um simples exemplo para elucidar a questão. Sou concursado e há 15 anos eu era nomeado nessa empresa pública. Por pelo menos 10 anos eu venho ou vinha sendo capacitado e qualificado na área operacional. A INFRAERO investiu milhares de reais em minha qualificação profissional nessa área operacional. Realizei inúmeros treinamentos nos mais variados segmentos do setor e também fora dele. Aprendi bastante com a Força Aérea Brasileira, Exército Brasileiro, Agência Brasileira de Inteligência, dentre tantas outras empresas bem como na própria estatal.

Porém, apesar de toda qualificação técnico-profissional, de três especializações acadêmicas, mais um mestrado em fase final de conclusão, o superintendente da área à qual eu estava recentemente agregado (devido à atual reestruturação administrativa esquizofrênica) acabou de me “colocar à disposição” da área de Recursos Humanos da empresa, sem qualquer plausibilidade técnica ou administrativa.

Ato contínuo, a atual superintendente do RH, tecnóloga em Processamento de Dados (que o CRA-DF não me leia), com especializações na área de TI, local em que desenvolveu toda a sua carreira, resolveu me jogar numa área administrativa de controle de documentos. Lógico que jamais houve análise de currículo ou coisa que o valha. Por puro revanchismo e com total falta de ética fui jogado nessa área (espécie de masmorra de arquivo de documentos). Resumindo e sem pretender furtar sua inteligência, a gestão dessa gente se dá em função de onde aponta a biruta e o dedo de quem manda. Tudo acaba sendo muito biruta mesmo e autoritário. Ainda que a empresa seja pública, tratam-na como se deles ela fosse.

Assim, sem qualquer planejamento, ética, consideração ao currículo profissional, respeito ao próximo, mas com toda bajulação aos superiores hierárquicos, certos gestores da INFRAERO seguem o rito, bem parecido com todo esse discurso na SAC-PR. O ministro Moreira disse que o modelo com 49% de sociedade da estatal no negócio era ruim ao país, foi retirado e, o atual, em menos de seis meses já mudou o discurso umas três vezes. Entra ministro e sai ministro, os discursos são cada vez mais confusos e distorcidos para o setor.

Faltam coerência, estratégia, planejamento, enfim, parece faltar tudo, inclusive respeito com mais de 12 MIL trabalhadores e suas famílias. Longe de qualquer solução verdadeiramente eficaz para os aeroportos, seus passageiros e funcionários. Reestruturação sempre é necessária, contudo, trata-se, primeiro, de reestruturar a moralidade que anda muito distante com a gestão dos aeroportos da INFRAERO. A estatal com excedente de efetivo e continuar contratando assessores ad nutum para ceder a outros órgãos beira ao deboche com essa categoria tão importante para o Brasil.

Sobre mim, como cidadão e digno de defender minha honra, resta-me recorrer – a todo instante – às barras dos tribunais para tentar salvar, ao menos, essa tal de reputação ilibada que eu vinha amealhando ao longo dos meus 40 anos de idade, mas cujos detratores, alguns nem tão limpos assim, tentam vilipendiar. Internamente, acabo sobrecarregando a Comissão de Ética com meus pedidos de consideração, diante de todas essas aberrações administrativas. Mas e o preço? Vejo minha saúde se esvaindo a cada dia, mas com a consciência de que não tenho passado nada de diferente dos milhares de colegas da INFRAERO, em que as privatizações lhes retiraram a dignidade do trabalho especializado em aeroporto, a não ser o receio do que possam fazer à minha vida.

Assim, nobres congressistas, deputados e senadores, os quais já visitamos e tem apoiado a causa dos aeroportuários, a todas as pessoas de bem desse Brasil, socorram-nos enquanto ainda parece dar tempo. Iniciamos uma forte campanha utilizando Outdoors na cidade de Brasília-DF e estamos promovendo uma ação que nos levará ainda mais longe. Venha conosco!

A categoria dos aeroportuários está em plena fase de negociação trabalhista e é possível pararmos os voos no país. Sabemos que o efeito cascata é uma dinâmica na aviação civil. Não queremos prejudicar a sociedade brasileira, muito menos a combalida economia neste momento. Só estamos pedindo socorro. Queremos uma CPI das concessões dos aeroportos mais rentáveis do Brasil. Por que vender aquilo que é possível dar muito lucro ao estado? Por que não fiscalizar o repasse de vultosas quantias (erário público) aos operadores privados? Por que destruir a suficiência financeira da INFRAERO e torná-la dependente dos recursos do Tesouro, justo num momento de turbulência econômica no Brasil?

Se você gostaria de ajudar mais, escreva-nos: anei@anei.org.br e dê a sua contribuição. Se você também puder nos ajudar financeiramente a nossa conta é:

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Ag.: 3100
CC.: 130002572
Associação Nacional de Empregados da Infraero – ANEI
CNPJ: 10.554.578/0001-43.

 Atenciosamente,

Alex Fabiano Costa
Presidente da ANEI